Blog criado como ferramenta de interação e comunicação com os alunos das disciplinas "Usuários da informação e práticas informacionais" e "Práticas informacionais: abordagem social nos estudos do sujeito informacional" (ECI-UFMG)
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Sense Making
Choo (2003, p. 86) apresenta a metáfora de criação do significado, de Brenda Dervin, em que o indivíduo interrompe seu movimento quando percebe um vazio cognitivo. Nessa metáfora, "a busca e o uso da informação serão analisados em termos do triângulo situação-vazio-uso". Que crítica(s) pode(m) ser feita(s) à metáfora de criação de significado de Brenda Dervin como metodologia de pesquisa para estudos de usuários?
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Olá! Boa noite! De acordo com Choo (2003, p. 86) a crítica que observei no texto em relação à metáfora de criação de significado de Brenda Dervin é que os estudos de campo que aplicaram a metodologia indicaram que “as estratégias de definir e transpor o vazio cognitivo são mais responsáveis pelo comportamento do indivíduo do que fatores como as características do sistema, conteúdo da mensagem ou dados demográficos do usuário”. Outro questionamento é com relação à possibilidade de derivar as categorias generalizáveis que caracterizem a busca da informação.
ResponderExcluirNa metáfora de Brenda Dervin a necessidade de informação é comparada com o vazio cognitivo, a busca de informação é comparada com as estratégias para transpor o vazio, e o uso da informação é comparado com a ajuda para transpor o vazio. Essa metáfora ajuda a entender o processo de busca informacional, mas como toda metáfora, descreve apenas parcialmente esse processo. A busca ou pesquisa bibliográfica é mais complexa como foi relatado por Kuhlthau e envolve muitas etapas e aspectos emocionais além dos cognitivos.
ResponderExcluirBoa noite. Mariza
Oi, Mariza! Concordo com você. A metodologia de Carol Collins Kuhlthau é bem mais complexa. Para mim, o Modelo de Brenda Dervin é simplista e muito subjetivo partindo do princípio que a informação é construída na mente do indivíduo. Além do mais, o processo de busca da informação de Kuhlthau é bem próximo da nossa realidade no serviço de referência nas bibliotecas.
ExcluirOi Ângela, concordo com você. A realidade é bem mais complexa do que demonstrada por Dervin.
ExcluirBoa tarde a todos!
ExcluirEu acredito que o processo de busca é muito particular a cada sujeito e cada um reage de determinada maneira à situação-vazio-uso, e portanto é preciso levar em conta que existem aspectos subjetivos, emocionais e sociais que envolvem o momento da busca.
Desculpem não me identifiquei acima.
ExcluirClausi Porto
Concordo com vocês principalmente porque estou trabalhando em um projeto de pesuisas e estu diagnoticando exatamente isso " que a criação de significado mostra que as estratégias de definir e transporo vazio cognitivo são mais responsáveis pelo comportamento do indivíduo em relação à informação do que fatores como características do sistema, conteúdo da mensagem ou dados demográficos do usuário". Estamos trabalhando com jovens em um sistema pr criar histórias em quadrinho e a partir daí medirmos o nível de literacia informacional principalmente no tocante à busca de informações. Estou percendo exatamente a crítica colocada no texto de Choo. Ainda estamos analisando os resultados, mas já podemos dizer que o comportamento do usuário em relação à informação é muitas vezes determinado pelas estratégias adotadas para transposição do vazio cognitivo.
Excluirabs
Simone
Boa noite colegas e prof Adriana,
ResponderExcluirPrimeiramente entra o questionamento da possibilidade de derivar categorias generalizáveis que caracterizem a busca de informação, mesmo essa sendo uma análise pessoal e também subjetiva, que geram dados extraordinários.
Segundo, será que com essa metáfora de criação de significado o usuário talvez possa ficar muito atrelado ao que está bloqueando o seu movimento (a sua caminhada) ou faltando em sua situação, e talvez se perder um pouco no foco da pesquisa?
Como disse a colega Ângela, entendi que a crítica feita por Choo (2003, p.86) foi quando ele cita que os estudos de campo que aplicaram essa metodologia mostraram que “as estratégias de definir e transpor o vazio cognitivo são mais responsáveis pelo comportamento do indivíduo do que fatores como as características do sistema, conteúdo da mensagem ou dados demográficos do usuário”.
Teoricamente, a maneira em que o indivíduo percebe o vazio pode prever como ele prosseguirá, transpondo o vazio e desejando informações.
Mais uma vez, fico questionando se isso realmente é o mais importante nesse processo! Será que com isso ele ao invés de obter os resultados almejados, acabará com um excesso de informação ou até falta da informação adequada para aquele determinado estudo?
Paula, acredito que este seja um ponto de crítica do triangulo situação-vazio-uso, o indivíduo está envolvido num contexto e existem aspectos subjetivos e emocionais que o envolvem no momento da busca. Com certeza alguns não encontraram o caminho e outros terão muita informação para transpor o vazio.
ExcluirOlá colegas! Eu acho que a questão chave está na subjetividade. Se a abordagem parte do princípio de que a busca dependerá da forma como o vazio cognitivo é sentido, e se tudo se baseia que se trata de uma situação subjetiva, interna ao sujeito, prever como ocorrerá essa busca é complicado. Traçar tipos de "paradas" e formas de transpô-las, considerando que o que influi é a cognição do sujeito, acho temerário. Como generalizar o que é interno de cada um?
ExcluirConcordo com vocês! Praticamente impossível generalizar esse tipo de sentimento. Cada um fará de uma forma, principalmente porque cada um estará sentindo algo diferente um do outro;1
ExcluirBoa noite,
ResponderExcluirPensando nesta metáfora como uma metodologia para estudar os usuários, observo que:
A subjetividade do usuário está diretamente ligada a esta sensação de vazio, pois a partir do momento que o indivíduo não consegue mais construir significados em sua busca, esse processo é interrompido. É necessário compreender que o processo de busca é muito particular a cada sujeito, pois cada um reage de uma determinada maneira à situação-vazio-uso, sendo preciso levar em consideração seus pensamentos, sentimentos, ações e o ambiente no qual ele está inserido para realizar o estudo de usuários. O sistema de informação utilizado está em segundo plano nesta busca e em uma possível investigação no estudo do usuário.
É possível que algumas informações relevantes sejam esquecidas pelos usuários quando ele é solicitado a reconstruir uma situação de busca de informações para descrever a necessidade de informação e suas estratégias para transpor o vazio (entrevista da linha do tempo).
O modo como às pessoas percebem seus vazios cognitivos e como desejam informações podem ser codificados em categorias universais.
Concordo com você Michelle. Também acho que a subjetividade está ligada a essa sensação de vazio. Não podemos pensar que o indivíduo irá se ater apenas a essa sensação de vazio no momento da busca. O processo é repleto de etapas e cada indivíduo reagirá de uma forma diferente ao longo delas. Por isso o meu questionamento, será que se ele se ater apenas ao sentiment de vazio ele ao invés de obter os resultados almejados, acabará com um excesso de informação ou até falta da informação adequada para aquele determinado estudo?
ExcluirBom dia Paula,
ExcluirEu acredito que este sentimento de vazio pode ocasionar as duas situações que você mencionou, o excesso de informação e até a falta de informação relevante para o seu problema inicial. Ai é que entra o foco do usuário em sua busca, se ele conseguir pensar em estratégias que visem atingir o seu objetivo ele conseguirá superar esta fase do vazio (insegurança) atingindo o resultado esperado para o uso da informação.
Boa noite colegas!
ResponderExcluirNo meu entendimento, em seu modelo de uso da informação, Choo identifica e relaciona os principais elementos que influenciam o comportamento do indivíduo em três estágios em que este se relaciona com a informação: a necessidade, a busca e o uso. Este modelo apresenta como bases conceituais a abordagem cognitiva de criação do significado de Dervin, (que analisa a busca e o uso da informação em termos do triângulo situação-vazio-uso); as reações emocionais que acompanham os estágios do processo de busca de informação identificados por Kuhlthau, (iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação) e os níveis de necessidade de informações manifestados pelos usuários (visceral consciente, formalizada e adaptada).
A metáfora em questão se relaciona com o modo como as pessoas percebem seus vazios cognitivos e como procuram informações para preencher estes vazios. A previsão deste comportamento de busca e uso de informação podem ser traduzida em categorias universais aproveitáveis em diversos grupos de usuários. Concordo com a Mariza quando ela diz de uma “descrição apenas parcial do processo” pois acredito que a crítica reside no fato da busca e o uso da informação fazerem parte de atividades sociais e humanas. Deste modo, a forma “como o processo de busca e uso da informação se desenvolve depende das condições mutáveis do contexto em que a informação é utilizada pelo indivíduo, o que, por sua vez, depende das mudanças induzidas no contexto pelas ações do indivíduo” (CHOO, 2003).
Pessoal, bom dia!
ResponderExcluirAcho que uma critica que pode ser feita a metáfora de criação de significado de Brenda Dervin como metodologia de pesquisa é a generalização proposta pela criação de categorias consideradas universais, pois as pesquisas que adotaram esta abordagem apresentam dados gerais da percepção do vazio cognitivo e da forma como as pessoas transpõem este vazio de informação, deixando de lado os aspectos emocionais, que como alguns trabalhos já mostraram tem um papel fundamental no processo de busca da informação.
Oi Carla! Concordo com você! O aspecto cognitivo é importante, mas o emocional influencia muito, assim como outros fatores, como o contexto, as relações sociais, enfim, o processo é bem mais complexo.
ExcluirConcordo com vocês, Carla e Raquel!
ExcluirO trabalho de Dervin, a partir da abordagem de criação de significado, demonstra que o modo como as pessoas percebem seus vazios cognitivos e como desejam informações para ajudá-las pode prever seu comportamento de busca e uso da informação, ou seja, as estratégias de definir e transpor esse vazio cognitivo são mais responsáveis pelo comportamento do indivíduo em relação à informação do que fatores como características do sistema, conteúdo da mensagem ou dados demográficos do usuário. Por isso foram desenvolvidas categorias universais para descrever esse modo.
A questão é que no processo de busca de informação, através das atividades de encadeamento e vasculhamento da informação, o sujeito é influenciado por fatores complexos subjetivos de formação, experiências passadas, preferências pessoais que fazem com que esse processo se torne confuso, desordenado, pela própria natureza contraditória do homem, que precisam do que é familiar, mas deseja o risco do desconhecido.
Enfim, é um desafio servir um usuário de informação que é incapaz, muitas vezes, de expressar o que precisa e transferir o conhecimento que adquire. Por isso, a formação do sentido, sense making, constituem um dos pilares da gestão do conhecimento nas organizações.
Até breve,
Isabella
Inicialmente, a partir do momento que se pressupõe que a informação é algo subjetivo, interno ao indivíduo, construído cognitivamente, torna-se difícil a tarefa de se generalizar algum aspecto.
ResponderExcluirConforme a abordagem de Dervin, o que determina o comportamento informacional de um sujeito são as formas como os vazios são percebidos e quais as táticas para superá-los. Dessa forma, dados sobre sistemas, conteúdos e/ou perfil dos sujeitos não apontam caminhos para o estudo dos usuários. Novamente se põe a questão da subjetividade. Os estudos desenvolvidos sob essa abordagem apontam ser possível categorizar e aplicar a diferentes grupos as formas como os vazios cognitivos são percebidos e as formas para transpô-los. Assim, estabelecem 6 tipos de “paradas”, segundo as quais, o comportamento de busca da informação variará.
Boa tarde!
ExcluirConcordo com você Raquel. Eu acredito que a informação é algo subjetivo e interno ao indivíduo e as particularidades na realização da busca não podem ser separadas pois, os aspectos cognitivos, emocionais e sociais podem interferir no processo de busca de informação e claro nos resultados obtidos pelos indivíduos.
Clausi Porto
Clausi Porto
O triângulo situação-vazio-uso é empregado por Choo(2003) de modo a explicitar a metáfora de criação de significado, de Brenda Dervin. Em um sentido mais prático, pode-se atribuir a compreensão dessa metáfora como sendo:
ResponderExcluirA)necessidade de informação = o vazio cognitivo (ou o estado anômalo do conhecimento)
B)a busca de informação = estratégias adotadas para se transpor o vazio
C)uso da informação = aquilo que é capaz de auxiliar o indivíduo para transpor e ultrapassar o vazio.
É fato que todo o indivíduo se situa em pelo menos um contexto, e também que é afetado (quer reconheça isso ou não)ou aspectos inerentes ao seu ser, a sua subjetividade e características emocionais quando diante de uma pesquisa / busca.
Isso quer dizer que o indivíduo normalmente exibe particularidades na realização de uma busca. Estas particularidades não podem ser dissociadas de seus próprios pensamentos, crenças, sentimentos e experiências anteriores.
Pelo menos uma crítica pode ser estabelecida aqui, na medida em que uma metáfora exibe a capacidade de lidar apenas com um pedaço / vertente / porção do problema/situação (embora muitos de nós desejássemos que ela desse conta do problema como um todo).
No caso presente, ao interromper seu movimento em virtude do vazio / vácuo, o indivíduo pode ate ser contemplado junto a análise do triângulo "situação-vazio-uso". Mas, como em várias metáforas existentes, a limitação aqui trata-se da ignorância / negligência (frequentemente comuns)às condições mutáveis do contexto em que a informação é utilizada pelo indivíduo. E também das limitações particulares (muitas vezes existentes) que o sujeito exiba diante da tentativa de preenchimento desse vácuo.
O contexto em que o individuo está inserido pode (ou não)facilita-lo em seu processo de busca de informação. E, dependendo do uso a ser feito, o indivíduo poderá (ou não) ultrapassar o vazio cognitivo em que se encontra. da mesma forma, as limitações (físicas, educacionais, sociais, culturais, religiosas, dentre outras) também poderão se constituir em barreiras para se desprender do vazio cognitivo, limitando - ou mesmo impedindo - o indivíduo de alcançar êxito em sua empreitada.
Concordo com Rubem quando diz "[...]que o indivíduo normalmente exibe particularidades na realização de uma busca. Estas particularidades não podem ser dissociadas de seus próprios pensamentos, crenças, sentimentos e experiências anteriores". O usuário apresenta todos esses aspectos no processo da pesquisa.
ExcluirTambém concordo plenamente quando Rubem relata que outras limitações como físicas, educacionais, sociais, culturais, religiosas e outras que poderão se constituir em barreiras para se desprender do vazio cognitivo, limitando ou impedindo o indivíduo de alcançar êxito. E são fatores importantes vivenciados pelos indivíduos que afetam a busca pela informação, que a meu ver a abordagem de Brenda Dervin não levou em consideração.
ExcluirClausi Porto
Boa tarde!
ResponderExcluirConsidero que a crítica que pode ser feita à metáfora de criação de Brenda Dervin como metodologia de pesquisa para estudos de usuários referentes aos estudos que aplicaram essa metodologia apresentaram resultados que as estratégias de definir e transpor o vazio cognitivo são mais responsáveis pelo comportamento do indivíduo em relação à informação do que fatores como: característica do sistema, conteúdo da mensagem ou dados demográficos do usuário. Também concordo com Mariza ao dizer que “A busca ou pesquisa bibliográfica é mais complexa como foi relatado por Kuhlthau e envolve muitas etapas e aspectos emocionais além dos cognitivos”, pois as pesquisas que abordaram essa metodologia revelaram categorias gerais pelas quais as pessoas percebem e transpõem seu vazio cognitivo e de informação, como também é possível prever como o indivíduo irá comportar para transpor o vazio para alcançar as informações desejáveis. Jane R. Guirado
Boa tarde!!
ResponderExcluirA metáfora de criação do significado de Brenda Dervin é interessante e alguns usuários podem agir de forma estabelecida pelo triângulo situação-vazio-uso. Contudo, não concordo com a utilização dessa metáfora como uma metodologia para estudos de usuários por ser restritiva. Essa não retrata a busca de informações
em todos os seus aspectos, é difícil que alguma metodologia consiga porque retratar o ser humano e sua coleta por informações é muito complexo e tem muitas emoções envolvidas que são conscientes e inconscientes. Outra crítica é que cada participante das pesquisas com essa metodologia deveriam reconstruir e descrever cada passo: como viu a situação, o vazio e a ajuda desejada porém essa reconstrução não retrata de forma verossímil o que ocorreu.
Bruna Ferreira
Boa Tarde!
ResponderExcluirNa metáfora de criação de significado o indivíduo move-se no espaço, dando passo por meio das experiências e um novo passo é dado a cada movimento, e mesmo que haja repetição de uma ação passada é um novo passo e este movimento é acompanhado pela pessoa que continuamente cria significado para suas ações. E enquanto for capaz de construir significado o movimento para frente é possível, mas pode ser impedido pela percepção de um vazio cognitivo. A abordagem de Dervin se preocupa mais com a identificação e com o entendimento das necessidades de informação e do comportamento informacional, analisa principalmente como as pessoas constroem sentido em seus mundos e como usam os recursos e a própria informação durante o processo. Uma critica que pode ser feita a metáfora de criação de significado é a generalização proposta pela criação de categorias consideradas universais, e que deixam de lado o fato da busca e o uso da informação estarem inseridas nas atividades não só cognitivas, mas sociais e humanas dos indivíduos.
Clausi Porto
Olá pessoal!
ResponderExcluirConcordo com Bruna e Mariza que a principal crítica à metáfora de criação de significado de Brenda Dervin como metodologia de pesquisa para estudos de usuários é seu caráter limitado em relação à busca de informação e os aspectos emocionais do indivíduo. Como a categorização dos modos como as pessoas percebem seus vazios cognitivos e como desejam informações para ajudá-las é codificada a partir de descrição do próprio participante, essa reconstrução pode sofrer várias interferências: o pesquisado pode formular o discurso de sua conveniência; não mencionar algum aspecto importante; até mentir. Outra crítica é a metáfora considerar uma situação específica. Como Michelle mencionou, o processo de busca de informação requer compreensão das particularidades do sujeito, tendo em vista as diversas reações à situação-vazio-uso, pela sua forma de pensar, sentir, agir e se interagir com o ambiente.
Ane
Gostei do comentário do Rubem porque ele complexifica a metáfora da Brenda Dervin, que aborda o triagulo situação-vazio-uso; ele escreveu de uma forma que as coisas não parecem tão simples como esse modelo propõem. Outras colegas inclusive já disseram sobre a relação prática profissional e as teorias, que neste caso, também parecem não dar conta de todas as variáveis do dia a dia de um profissional bibliotecário. Creio que uma das limitações do modelo além de simplificar demais esse processo, diferente do que a Kuhlthau, faz ao estabeler seis etapas, esse modelo é focado demais no sujeito, no individuo cognoscente, o que leva ao distanciamento do sujeito como um ser social, que está inserido em diversos contextos. Me parece que a informação parece um tijolo que preenche a lacuna. Levando mais uma vez a uma limitação do modelo. Gabrielle F.
ResponderExcluirConcordo plenamente com você Gabrielle! Quando fala do vazio, parece que a informação vai simplesmente servir como uma ponte para que o sujeito atravesse aquela estrada. Trata o sujeito fora do contexto social, afetivo, da realidade mesmo. Como foi apresentado, é uma abordagem realmente simplista.
ExcluirO comentário de Gabrielle toca num ponto relevante ao salientar a importância do meio social para entender o processo de busca de informações. No entanto, no modelo de Dervin há sim uma preocupação com o ambiente social do usuário. Nesse modelo a percepção do vazio de informação também depende do ambiente profissional e social do indivíduo. Mariza.
ExcluirGente, estou adorando ler os comentários de vocês!!!! Lá vou eu provocá-los um tiquinho mais!!!! Ninguém criticou ainda, e eu esperava isso de vocês, o fato de na metáfora de Brenda Dervin, a autora referir-se ao estágio de um "vazio cognitivo". Não considero correta - e gostaria que vocês debatessem a respeito - essa terminologia, porque não consigo conceber um indivíduo "vazio de conhecimentos". O que vocês pensam? Alguns de vocês associaram o "vazio cognitivo" de Dervin ao "estado anômalo de conhecimento" de Belkin. Um estado anômalo de conhecimento, isto é, um estado de conhecimento insuficiente para a situação em que o indivíduo se encontra momentaneamente, me parece uma terminologia um tanto mais adequada.
ResponderExcluirAdriana,
ExcluirBoa Noite!
Concordo com você! E fiquei pensando se não seria também "vazio cognitivo" uma lacuna, pois esse "vazio" seria uma necessidade informacional. Acredito que a terminologia precisa ser repensada realmente e gostei muito da sugestão da Aline.
Clausi Porto
Até mesmo semioticamente falando, é inaceitável pensar um sujeito "vazio de conhecimento". O sujeito em si é um ser repleto de significado e a todo tempo atribui significado às coisas. Impossível concebê-lo desta forma. Neste sentido, também acho mais cabível atribuir este "vazio" a um "estado anômalo do conhecimento".
ExcluirObservando melhor agora a terminologia "vazio cognitivo" também me parece inadequada. Esta expressão transmite uma percepção de que em uma busca de informação o indivíduo está sempre iniciando do zero. Ou seja, o usuário está sempre iniciando seu repertório. Frente a um fenômeno ou questões às quais o indivíduo não consegue atribuir um significado para interpretá-los, este indivíduo não é vazio cognitivamente. Ele já possui um aparato cognitivo moldado pela razão (no sentido kantiano das categorias do entendimento humano moldadas de forma predeterminada de funcionamento da mente) e por vivências anteriores. A dificuldade de interpretação das questões referem-se mais a uma falta de repertório individual que corresponda ao problema do que da ausência total de repertório.
ExcluirAté breve!
Rubeniki Fernandes
É Adriana, eu realmente não pensei por este ângulo do ser humano vazio de conhecimento e sim associei ao estado anômalo de conhecimento de Belkin, que faz sentindo pois o individuo temporariamente não tem conhecimento para resolver um problema ou questão. Mas acho que Raquel tem razão, o vazio pode ser compreendido como uma lacuna e assim tem mais sentido.
ExcluirOlás!
ResponderExcluirConcordo, Adriana. Eu trocaria "vazio cognitivo" por "desequilíbrio cognitivo ou confusão cognitiva", onde o sujeito não consegue avançar na sua construção de significados por não dar conta de acompanhar os processos, que podem ser internos e externos. Quando Dervin menciona que no estágio vazio cognitivo "a pessoa perde o sentido interno e a necessidade de criar novos significados", deve-se considerar que o indivíduo possui um repertório de vivências e que um bloqueio pode levá-lo a dar novos significados aos significados até então criados.
Abraços,
Aline
Nossa! Realmente nao havia pensado por este lado profa Adriana!
ResponderExcluirNa verdade, eu entendi esse "vazio" como uma "falta de algo, mas que pode ser encontrado". Talvez por isso, não considerei o "vazio" como "ausência".
Resolvi então dar uma aprofundada na palavra VAZIO pelo dicionário aurélio: "adj. Que nada contém;/ Que não tem ocupantes;/ Fig. Falto, privado, carente, destituído: espírito vazio de idéias. / Pej. Vão, fútil, frívolo: rituais vazios. / Matemática Diz-se de um conjunto que não comporta nenhum elemento. /Física. Espaço que não contém nenhum corpo material; vácuo. / Fig. Sentimento angustiante produzido por saudade, privação ou ausência/ Fig. Vaidade, insignificância: o vazio das coisas terrenas."
Pensando no sentido literal da palavra, não consigo imaginar um indíviduo com um vazio de idéias ou muito menos conhecimento! Adorei a idéia da Aline de mudar o termo para "desequilibrio cognitivo" ou quem sabe até "desordem cognitiva". Abços Paula
A abordagem cognitiva de criação de significado de Brenda Dervin tenta descrever como é processo de busca e uso da informação. Segundo a autora, este processo é analisado levando-se me conta o triângulo situação-vazio-uso, na qual , segundo Choo(2003)a necessidade de informação está relacionada à percepção de vazio, à busca de informação às estratégias para superar o vazio e ao uso da informação na tentativa para transpor o vazio . Embora os estudos de campo que utilizam esta abordagem consigam descrever o comportamento de busca do indivíduo melhor do que as abordagens quantitativas, como dados demográficos do usuário ou mesmo as características do sistema, esta abordagem apresenta alguns pontos negativos. Como metodologia de pesquisa a principal crítica que eu faço à abordagem cognitiva de criação de significado é que ela propõe a criação de categorias universais. Ora, sendo ela uma abordagem cognitiva, que analisa ações de sujeitos sociais, culturais, em diversos contextos e imbuídos de particularidades em seus processos de busca de informação, é no mínimo contraditório tentar generalizar tal processo.
ResponderExcluirOi gente! Pois é... esse vazio cognitivo nos escapou inicialmente... acho que ficamos presos a questão da simplicidade da abordagem, da cognição apenas. Na verdade, eu acho que quando a Dervin fala em "gap" é mais como lacuna, como alguma coisa faltado, do que, necessariamente um vazio. A abordagem fala de "caminhos" que chegam a algum tipo de parada, ou seja, vazio cognitivo não é um termo que realmente retrate ou conceitue a situação do usuário.
ResponderExcluirBom, olás!
ResponderExcluirEntendo que o "vazio cognitivo" quer dizer ausência da informação precisa/necessitada que é pré-condição, do ponto de vista cognitivo, para motivar e orientar a construção de conhecimento, não significando assim, ausência de conhecimento. Entendo que "desequilíbrio cognitivo" seria uma ótima expressão para indicar a condição/processo, que, novamente, do ponto de vista cognitivo, o indivíduo passa.
Abraços,
Olá, pessoal!
ResponderExcluirConcordo com a Professora Adriana. O emprego do termo “estado anômalo do conhecimento” (onde o indivíduo não é capaz de expressar prontamente sua necessidade) seria mais adequado ao invés de “vazio cognitivo”. De fato, não tínhamos feito esta reflexão.
A partir do momento que o indivíduo está inserido num contexto social ele tem acesso à informação desde seu nascimento. Ele a adquire não somente através da linguagem escrita (palavras e textos), como também da visual (imagens) e auditiva (sons, música).
Choo (2003, p. 83) afirma que “a informação é fabricada por indivíduos a partir de sua experiência passada” e o significado da informação para eles modifica-se continuamente. Para ele, o processo de busca e o uso da informação é dinâmico e “se estende no tempo e no espaço”. Conseqüentemente, o conhecimento está sempre se renovando na mente dos indivíduos.
Abraços,
Ângela Cristina
Olá, pessoal!
ResponderExcluirApós leitura das manifestações dos colegas e motivado pela provação da professora, compartilho minhas reflexões quanto ao tema. Assim, vejamos:
A formulação de Brenda Dervin em relação à concepção de um indivíduo "vazio de conhecimento" diante de um processo informacional provoca-me certo desconforto.
Acredito ser mais coerente considerar que os indivíduos, inseridos num contexto social, estão sujeitos a processos informacionais nos quais podem se deparar com elementos intervenientes de aspectos antropológicos, socioculturais e político-econômicos. Desse modo, o olhar pode ser direcionado à informação enquanto um fenômeno social, isto é, a partir de sua inserção na dimensão da cultura. Como exemplo, as informações recuperadas num sistema de informação, cujas demandas foram solicitadas por um usuário, podem se configurar como barreira lingüística por serem publicações estrangeiras e, por sua vez, distante da capacidade de assimilação por parte desse usuário. Logo, a compreensão dessa dificuldade hipotética contrapõe a perspectiva de Brenda do “vazio”, pois o sujeito, ao ser reflexivo, poderá realizar nova busca informacional restringindo-a a literatura nacional.
Abraços, Alberth
De acordo com a metáfora de criação de significado de Dervin, a pessoa “move-se no espaço e no tempo” evoluindo de acordo com suas experiências. Assim, a pessoa cria significados para suas ações e para o seu ambiente. O fato é que esse movimento de busca de significados segue até que a pessoa se depare com uma descontinuidade e essa busca de significados é interrompida. Assim, a pessoa se encontra com um quadro em que os movimentos adiante são bloqueados pela percepção de um vazio cognitivo e deste modo, a pessoa tem a necessidade de criar novos significados. Não obstante, como vimos em outros textos, tal como Kuhthau apud Choo (2003), a busca demanda muito mais etapas e processos não descritos por Dervin, o que torna essa metáfora um tanto quanto simplificada.
ResponderExcluirAluno: Kayro Hederton Ferreira de Sena
Disciplina: Práticas informacionais: abordagem social nos estudos do sujeito informacional